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Filme: Crash - No Limite

Trechos do filme:

 

Crash - No Limite (Crash, 2004)
Direção: Paul Haggis
Roteiro: Paul Haggis, Robert Moresco
Gênero: Drama
Origem: Alemanha/Estados Unidos

Uma leitura sobre o filme

(…)

Poucas vezes temos a oportunidade de ver um filme que atinge sua meta sem tematizá-la.
A problemática do preconceito está presente em cada cena, estapeando-nos na cara, mas, em momento algum, ela é verbalizada.
A primeira comparação a ser feita é com o magnífico roteiro de Paul Thomas Anderson para "Magnólia". Tanto neste filme quanto em "Crash", nós nos enveredamos num labirinto de vidas e de frustrações. Pessoas completamente diferentes, mergulhadas no mesmo mundo, tocando-se cotidianamente, confrontando-se, compreendendo-se.
Em "Crash", Paul Haggis nos apresenta a proximidade, os acidentes (de onde vem o título) que nos forçam a reconhecer o outro como pertencente ao mesmo universo que nós.
A trama é fragmentada em vários núcleos narrativos, todos imersos em sua apreensão de mundo e em seus preconceitos próprios.
Há o caucasiano com preconceito em relação aos negros e latinos; há os negros com preconceitos dos brancos e dos próprios negros; há árabes (categorização que inclui, no filme, todos os muçulmanos, mesmo que a maioria islâmica do mundo não seja falante do árabe ou nascida na Arábia Saudita) com preconceito dos latinos; há os chineses, os porto-riquenhos, os tailandeses, os pobres, os ricos, os bandidos, os policiais e há mesmo aqueles que nem possuem classificação.
"Crash" demonstra, com um realismo surpreendente, que preconceito e discriminação não é um "privilégio" dos brancos burgueses, que todos nós, independentes de raça e classe social, já possuímos uma pré-compreensão do mundo que nos circunda e que é através dela que escolhemos nossos círculos de amizade, os ambientes que freqüentamos e as pessoas que costumamos evitar. Não se trata de algo racional, fundamentado em teorias eugênicas, mas sim a própria constituição nossa, enquanto seres humanos, de julgar o próximo e lidar com ele através deste julgamento.
Há um desamparo terrível nesta constatação, como se, para esta falta de tolerância, não houvesse solução. Mas a arte - mesmo que não tenha de possuir esta atribuição - é um modo de voltarmos nosso olhar sobre nós mesmos e percebermos que também fazemos parte deste ciclo de ódio, que, se um filme como "Crash" existe, é porque nós permitimos e, mais do que isto, contribuímos que para chegássemos a este ponto.
Acredita-se que o filme de Haggis simboliza a América pós-11-de-setembro. Nada mais equivocado do que isto. O filme de Haggis simboliza a humanidade, desde seus primórdios pré-históricos até hoje. Nossa época, longe de ser a fundadora do preconceito, apenas o acentua dia após dia.
Infelizmente, "Crash" é a história do nosso cotidiano…
Felizmente, o filme é belo!

Fonte: http://criticadearte.blogspot.com/2006/04/crash-no-limite.html

"Asas do Desejo" (lançamento em 1987).

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Trecho do filme:

 

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O anjo Damiel (Bruno Ganz): céu sobre Berlim

O filme "Asas do Desejo", de Wim Wenders, teve estréia mundial em 17 de maio de 1987 no Festival de Cannes. Os anjos pairaram sobre uma cidade de perfil bem distinto daquele que a capital alemã tem hoje.

No 17 de maio de 1987, Asas do Desejo, do cineasta alemão Wim Wenders, estreava no Festival Internacional de Cannes. Mais de duas décadas depois, os temores do diretor de que o filme fosse mal compreendido por público e crítica não passam de uma pálida lembrança.

O longa tornou-se não apenas um clássico da história da sétima arte (com direito a volta triunfal aos cinemas alemães em maio de 2006, quando se comemorou seu "aniversário" de 20 anos), mas talvez a realmente última grande obra cinematográfica de Wenders. E, acima de tudo, um dos mais belos registros de uma Berlim que há muito deixou de existir.

Os anjos que sobrevoavam a cidade dividida, desejando experimentar a intensidade da dor e do delírio humano, rodaram o mundo. Asas do Desejo (ou "O céu sobre Berlim", na tradução fiel do original Der Himmel über Berlin) tornou-se um must entre cinéfilos mundo afora.

Wenders levou o prêmio de melhor direção em Cannes e o filme foi, em seguida, exibido em mais de 80 salas dentro da então Alemanha Ocidental. Fora do país, a recepção foi tamanha que o longa chegou a ficar em cartaz mais de um ano no Japão.

Arquitetura de luz e sombras

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O francês Henri Alekan: mestre da luz

"Em outra cidade que não Berlim, eu jamais teria tido a idéia de fazer um filme como este", disse o diretor 20 anos depois, ao diário Berliner Morgenpost.

Certamente nenhuma outra cidade teria oferecido às lentes do fotógrafo Henri Alekan uma paisagem urbana tão abandonada, exatamente onde as referências à história eram tão marcantes, como na Potsdamer Platz, por exemplo. Da mesma forma, certamente nenhum outro fotógrafo teria captado a textura da cidade com tamanha sutileza quanto Henri Alekan.

"Sua luz criou um novo espaço, no qual existia também outro tempo e no qual se falava outra língua, uma língua mais poética. Henri criou uma arquitetura de luz e sombras, construindo um equilíbrio marcadamente complexo entre tons claros e escuros, do mais profundo negro ao mais claro branco", dizia Wenders seis anos mais tarde, na entrega do Prêmio Wilhelm Murnau ao fotógrafo francês, em 1993.

"Se hoje, no fim da minha carreira, olho para trás, o filme mais importante que fotografei, a coroação do meu trabalho, foi Asas do Desejo", respondia Alekan a Heidi Wiese, em declaração publicada no volume A Metafísica da Luz, antes de sua morte em 2001 aos 92 anos.

Cidade do preto-e-branco

As imagens do filme fotografadas por Alekan, quase todas em preto-e-branco, são um registro sensível e raro das muitas faces de Berlim, maquiadas desde a reunificação do país: o Muro como cicatriz viva da Guerra, a solidão de uma Potsdamer Platz gélida e vazia, uma Anhalter Bahnhof perdida e a deserta paisagem de Prenzlauer Berg, preenchida apenas por alguns Trabis, os carros típicos do Leste alemão.

Esta seqüência "do outro lado do Muro", na então Alemanha de regime comunista, "foi rodada por um fotógrafo de Berlim Oriental. Não pudemos colocar o nome dele nos créditos, pois havia feito as imagens escondido e nos cedido secretamente", contou Wenders ao jornal Berliner Zeitung

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Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander): Anjos sobre Berlim

Era a Berlim de Nick Cave e dos shows embaçados nos galpões mal-iluminados, como o que se vê no filme. Sem Nick Cave, disse Wenders ao Die Zeit, "não teria havido (pelo menos não para mim) a sensação de que aquela cidade ilhada era, ao mesmo tempo, o centro do mundo. Este australiano soturno e seu guitarrista Blixa Bargeld fizeram ali uma música que conseguiu definir melhor aquele tempo do que qualquer outra música qualquer outro lugar".

Clássico da história do cinema

Embora todas essas imagens se tornem cada vez menos compreensíveis para o espectador de hoje, devido à distância do tempo e às constantes mudanças da cidade nos últimos anos, Asas do Desejo é um desses filmes que, como Paris, Texas ou Alice nas Cidades – para se ater apenas a Wenders – "ficam".

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Marion (Solveig Dommartin): a trapezista do Circo Alekan

Os anjos Damiel e Cassiel ficam, mesmo que o rosto do ator Bruno Ganz esteja hoje mais associado à Queda de Hitler, mesmo que o purismo estético de Henri Alekan venha se tornando cada vez mais raro na era da tecnologia e dos retoques milagrosos da pós-produção, mesmo após a morte prematura, em janeiro de 2007, da atriz Solveig Dommartin, a trapezista por quem o anjo Damiel se apaixona.

Este "Céu sobre Berlim" entra como clássico para a história do cinema, porque conseguiu cartografar magistralmente a singularidade de Berlim nos anos que antecederam a queda do Muro. Conseguiu fazer com que o espectador fosse levado, se não de fato, pelo menos em sonho à cidade dividida, isolada e única. Levado até lá, nas asas do desejo, para passar a saber, assim como Damiel na última cena do filme, "o que nenhum anjo sabe".

Soraia Vilela

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2509237,00.html

Leitura clínica filosófica

Algumas das possíveis leituras, neste trecho do filme, podem identificar o tópico sensorial e abstrato (tópico 3), no que se refere ao abstrato.

O termo abstração diz respeito à derivação de conceitos.

Também quando a pessoa utiliza termos ou conceitos, proposições indiretamente ligadas aos sentidos.

Em muitos casos, identificamos conceitos abstratos na fala da pessoa, através de termos como: “eu considero…”, “eu penso…”, “eu sonho…”, “eu conjecturo…”, “eu imagino…” e outros, quando a pessoa não utiliza termos ligados aos sentidos e nem a sua formação.

Bruno Packter

Filme: A.I. - Inteligência Artificial

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Trecho do filme: clique aqui para ver

Limites tênues entre homens e máquinas

Sempre que o nome de Steven Spielberg está envolvido em uma produção, espera-se que o filme em questão seja um grande campeão, de bilheteria, de boas críticas e resenhas ou de ambas. Não há outra alternativa para o prodigioso cineasta, que carrega em seu currículo, desde que começou a brilhar intensamente lá pelos idos de 1970, sucessos como "Tubarão", "Contatos Imediatos do 3º Grau", "E.T.", "Caçadores da Arca Perdida", "A Cor Púrpura", "A Lista de Schindler" e "Parque dos Dinossauros", entre outros. Mas, como todo ser humano normal, de quando em quando, da produção ou direção de Spielberg surgem alguns fracassos (quem se lembra de "1941", "Além da Eternidade" ou "O Império do Sol").

No ano de 2001, o mercado cinematográfico mundial estava agitado pela menção de que Spielberg estava trabalhando um projeto que originalmente pertencia a outro grande cineasta, Stanley Kubrick ("O Iluminado", "Barry Lindon", "Dr. Fantástico", "Spartacus", "Nascido para matar",…). E o melhor de tudo, com as bençãos de Kubrick, que acreditava que o único que poderia encaminhar o projeto em questão seria o próprio Spielberg. Esse filme era "A.I. - Inteligência Artificial".

A época em que vivemos, marcada por projetos como a clonagem, o investimento no surgimento de máquinas que sejam capazes de "pensar" por si próprias, a biotecnologia e a alteração genética dos alimentos entre outras grandes transformações propostas pela ciência, abriu possibilidades para que os sonhos se tornassem ainda maiores e que, a criação de "replicantes" (robôs que são cópias perfeitas de seres humanos) prevista no filme "Blade Runner" de Ridley Scott voltasse a tona.

"A.I. - Inteligência Artificial" trabalha esse tema. No período em questão, esses seres terão se tornado tão comuns entre nós que não causariam mais espanto ou admiração. Apesar de muito parecidos com o que somos, seríamos capazes de diferenciá-los da espécie humana sem maiores dificuldades, principalmente pela dificuldade de fazer com que robôs (por mais que se pareçam fisicamente com homens, mulheres e crianças) externem seus sentimentos (sofram, amem, tenham dor, chorem ou riam com naturalidade).

"A.I" gira em torno do personagem David Swinton, vivido pelo ótimo ator Haley Joel-Osment, um novo protótipo de robô/replicante, que coloca a tecnologia no limite, com uma tênue e praticamente invisível linha divisória entre homem e máquina. Estaríamos nos aproximando do fim das diferenças que separam seres alimentados por óleos, cabos e chips do que somos.

Ao se colocar o garoto/robô numa casa de família, abalada pela doença terminal de seu filho, numa tentativa de fazer com que David viesse a preencher o vazio deixado pela criança, surge uma situação das mais delicadas. A recuperação surpreendente da criança enferma torna o ambiente insuportável para os pais e as crianças. David é extremamente devotado aos pais e, constantemente sabotado pelo "irmão", enciumado, que quer se livrar dele. A situação extenuante termina de forma trágica para o robô, abandonado num mundo cheio de problemas e desigualdades.

O efeito estufa, a corrupção dos costumes e a incompreensão dos homens reinam nesse século XXI. O menino-robô peregrina por esse mundo e tenta, a todo custo, entender o que o cerca na busca de seu lar, de seus pais e da segurança com que estava acostumado. Encontra outros replicantes como ele e, seres humanos muito parecidos com seus "pais", sem jamais desconfiar que entre eles poderia haver uma aproximação (não foi capaz de entender o abandono a que foi submetido). É humilhado, colocado em situações em que esteve muito próximo da destruição e segue acreditando numa redenção (nos pais e na volta para casa).

Nesse momento passamos a nos perguntar: Devem existir limites para a ciência? Ao se criarem alimentos transgênicos, clones ou robôs que pensam e sentem (como no filme), a ciência não coloca em risco a existência dos seres humanos? Quem nos deu o direito de alterarmos a natureza através de experimentos como os citados ou de outros não mencionados? Que repercussões podem advir de mudanças tão grandiosas como essas? A tecnologia, qualquer que seja ela, é realmente necessária? O que acontecerá conosco se continuarmos avançando da forma como estamos?

O mundo obviamente divide-se entre os que defendem entusiasticamente a ciência e seus projetos, os que acreditam que determinados avanços são válidos e outros nem tanto e aqueles que rejeitam a maioria dos implementos trazidos pelos pesquisadores. Não se trata de escolher uma dessas opções mas, acima de tudo, de criar um canal de debates envolvendo a sociedade civil, os cientistas e os governos dos países para que a questão ética não seja esquecida. Para que a lisura prevaleça entre as pessoas que encabeçam essas transformações e que, em nenhum momento o que está sendo criado possa, num futuro breve, causar prejuízos a humanidade.

Não significa brecar ou interromper o que está sendo feito pela ciência, mas, analisar outros fatores (não apenas os técnicos) como os sociais, os políticos, os econômicos e os culturais relacionados a esses experimentos.
Para as escolas, "A.I." pode representar o início de debates e estudos nessa área, com o envolvimento da biologia, da história, da geografia, da ética, do estudo das atualidades…

Ficha Técnica

A.I - Inteligência Artificial
(A.I. - Artificial Inteligence)

País/Ano de produção: EUA, 2001
Duração/Gênero: 145 min., ficção científica
Direção de Steven Spielberg
Roteiro de Steven Spielberg e Stanley Kubrick
Elenco: Haley Joel Osment, William Hurt, Jude Law, Frances O´Connor, Ben Kingsley.

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=14

Leitura clínica filosófica

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O vídeo ilustra, em algumas partes, o procedimento clínico chamado atalho.

Quando uma pessoa utiliza em seu discurso termos e expressões como "vou dar um jeito; inventarei uma saída; vou criar uma resposta; acho que poderia pensar outras coisas" estamos provavelmente diante do procedimento clínico denominado Atalho.

Inicialmente, uma advertência oportuna: a característica central do Atalho é a inventividade, a doxa, a criatividade. Isso em geral é atestado no convívio com a pessoa, mas deve ser respaldado pela compreensão da historicidade desta. Um dos enganos mais comuns é a confusão entre repertório existencial e inventividade.

Uma pessoa que tenha um repertório existencial derivado de sua erudição pode em um momento de crise surpreender colocando as diversas possibilidades para lidar com as questões. Isso pode levar o filósofo clínico a considerar que a pessoa utiliza de Atalho. No entanto, muitas vezes, nada mais é do que o uso de prerrogativas e reflexões solidamente construídas sem o recurso da inventividade - semelhante ao que ocorre no repertório das jogadas de um xadrez eletrônico.

Os dados divisórios e os enraizamentos, elementos da historicidade, costumam ser suficientes para esta importante diferenciação. 

Fonte: Instituto Packter - www.filosofiaclinica.com.br

Exercício de 03 e 04 de janeiro de 2008.

Indicação de Filme: "O Colecionador"

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Trecho do filme:

Sinopse do filme: "O Colecionador".

Em "O Colecionador" (1965, dir. Willian Wyler), temos a história de um rapaz solitário, que em sua obsessão por uma mulher, aprisiona-a no porão de sua casa. É na tentativa desse rapaz criar um vínculo afetivo com a moça que se tem uma das maiores ilustrações sobre a deterioração de um relacionamento pela incapacidade de se conceber o Outro.

Freddy/"Franklin" (Terence Stamp) sequestra Miranda Grey (Samantha Eggar) visando um "nobre" objetivo: demonstrar seu amor por ela e ser correspondido. Obviamente não terá sucesso pois só o sequestro em si será o primeiro de uma série de obstáculos à reciprocidade desejada por Freddy.

O problema de Freddy é justamente o confronto entre o que ele idealiza (sobretudo a sua concepção da mulher amada) e a realização daqueles ideais. Ele não compreende (ou até aceita como corretas) as inconsequências de suas ações, e não percebe a destruição que provoca ao objeto amado. Esta imaturidade de caráter não evidencia-se apenas fisicamente, com seu andar meio trôpego ou o baixar de cabeça como uma criança repreendida, mas na própria aceitação de uma subjetividade alheia (por exemplo, numa obra de arte, quando deprecia as faces disformes de um quadro de Picasso: "as pessoas não são assim!").

Imaturidade cultivada numa vida sem afetividade (mesmo no trabalho, sua mesa encontrava-se isolada das dos demais "colegas"), cuja única relação desenvolvida foi a de posse (a coleção de borboletas) e é neste mesmo âmbito que dar-se-á sua relação com Miranda. A concepção mais próxima de reprodução, para Freddy, é a incubação que realiza nas larvas que recebe de um fornecedor. Enclausurada no porão da casa de Freddy, a moça vive como mais uma de suas borboletas, desenvolvendo seus desenhos, colorindo o seu "casulo", sob o afastado olhar de seu "dono", que apenas a veste e alimenta. O contato físico entre eles ocorre exclusivamente em função das tentativas de fuga de Miranda, quando Freddy é obrigado a subjugá-la pela força, agarrá-la, abraçá-la, amarrá-la, ou, em dado momento, quando por iniciativa própria a moça tenta acariciá-lo. Para Freddy são momentos de verdadeira provação, uma afronta à "pureza" que almeja à relação.

É na recusa de Freddy à introdução de elementos exteriores ao "seu mundo" (mas atraídos pela própria manutenção de Samantha) que faz da moça objeto de crescente decepção aos ideais do rapaz, que, em contrapartida, cada vez mais esforça-se a manutenção dos mesmos; ideais que causam um desequilíbrio esmagador de concessões, no qual um dos lados (Miranda) acaba por anular-se totalmente: morta, torna-se literalmente apenas um objeto: não há mais essência à admirar. Por isso, Freddy, como um colecionador, parte em busca de um novo "exemplar".

Fonte: http://www.interrogacaofilmes.com/textos.asp?texto=21

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