Prof. José Cacildo Silva – Especialista em Filosofia Clínica
ÉTICA SOCIAL OU DO “SI MESMO”?
Se pegarmos a ÉTICA como estudo dos princípios legais e sociais da conduta humana, temos que, antes, jogar um foco luminoso, primeiro na palavra “conduta” e depois na expressão “humana”. Que é conduta? Sim, é um procedimento. Ocorre que uma conduta por si – isolada dos fatores circunstanciados – não contempla necessariamente a substancialidade da questão analisada. Ademais, há de se considerar, também, culturas e histórias diferenciadas. Pode depender do momento, das circunstâncias do caso e mesmo assim, nem sempre um procedimento é unilateral, pode haver implicâncias positivas ou negativas de outra parte, tempo e espaço.
É certo que, na vida social deve haver, e às há, regras pré-estabelecidas em normas e leis disciplinadoras, porém, tratando-se da existência da individualidade a ser considerada e respeitada, torna-se necessário o cuidado na, e da interpretação de cada caso. Nem sempre sabemos as razões pelas quais, e com as quais, uma conduta é levada a termos.
Outra consideração não menos importante está no contexto que encerra as palavras: “humano”, “humana” e, a pessoa humana, num procedimento qualquer da vivência. Não é raro sabermos que algumas pessoas “humanizam”, por várias razões e princípios, animais não humanos, assim como, por razões outras, desumanizam indivíduos humanos. Além do mais, não bastasse, também por razões políticas, religiosas e outras, as diversas interpretações conceituais no aspecto social, ainda, muitas vezes, nos deparamos com olhares e tipificações profissionais que rotulam, engessam ou enraízam valores não condizentes com a realidade da história de vida da pessoa.
Mais do que a licenciosidade do Direito em não se pautar por éticas sociais e sim pela ética profissional configurada nos autos; ou, como a engenharia que tem que se valer dos cálculos estruturais da obra e não só pela conceituação estética, também cabe ao cuidador da psique humana – do self, do “si mesmo” de cada individuo de per si -, a que ouça, perceba e siga primeiramente a literalidade da sua história de vida. A ética primeira vem do respeito pela intercessão com o outro. Sendo este “outro” o que fornece a luz, as setas, para o seu próprio caminhar. O cuidador, o Filósofo Clínico, quem sabe, auxilia o “outro”, com um pouco de si mesmo, na organização das setas indicadoras, construídas pelo outro, na sua própria caminhada existencial.
Cacildo Silva (21-08-2010)

Associação Catarinense de Filosofia Clínica e Instituto Packter abrem nova turma de formação em Filosofia Clínica em março. As aulas serão presenciais quinzenalmente, em Florianópolis – SC, e proferidas por Bruno Packter.

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