Questões Práticas na Clínica Filosófica - Bruno Packter

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autor - Bruno Packter
título - Questões práticas na clínica filosófica
cidade - Florianópolis

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“Penso que a clínica se inicia, quando a pessoa cogita a possibilidade de fazer terapia. A partir daí, numa sucessão de eventos, ela faz a sua escolha, no que se refere o profissional que irá atende-la. Neste momento, o sujeito já esboça alterações comportamentais, como o caso de S., sem queixas de insônia, alcoolismo e depressão: “Quando decidi te procurar, indicado por uma amiga das caminhadas no parque, logo imaginei como deveria me vestir para encontra-lo, precisava arrumar o cabelo que estava horrível e escolher um sapato adequado! Ouvi dizer que filósofos clínicos não medicam, não internam e não acreditam em loucura! Afinal, agora eu tinha alguém para me entender! Naquela noite, após marcar a consulta, dormi sete horas diretas, sem precisar da minha cervejinha.”

Hélio Strassburger

Aprendemos em Filosofia Clínica que, às vezes, somos ensinados pelos partilhantes.

O que pode ser ensinado na clínica filosófica?

Também, aprendemos a fazer o trabalho clínico ouvindo, indo e retornando ao outro que nos procura, através de sua demanda existencial.

Muitas vezes, na clínica trabalharemos assuntos como: marido procurando a clínica diz: ”… gostaria de melhorar a qualidade de vida.”, a esposa: “…entender se é possível continuar este relacionamento… quero ser sujeito nesta história…”

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A realidade visionária da loucura

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autor - Hélio Strassburger
título - A realidade visionária da loucura

“(…) uma ciência que seja capaz de determinar o sentido que as coisas têm para a vida ao seu redor. Os que elaborarem este diagnóstico terão que ser treinados em significação e não em patologia, e o tratamento terá que ser feito com idéias, não com sintomas.” Clifford Geertz

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O saber local

O pressuposto para a loucura só ver miragens ou não conseguir formular idéias, encontra fundamentação nas lógicas do estrangulamento das intencionalidades. Assim, enganam-se àqueles em busca de erro, ao visar descobridor supostamente encarcerado no outro. Um olhar assim, a perder de vista, reflete-se numa cosmovisão delirante.

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Descobertas na interdição das palavras - Hélio Strassburger

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“A linguagem da poesia é essencialmente polissêmica e isso de um jeito muito próprio. Não conseguiremos escutar nada sobre a saga do dizer poético enquanto formos ao seu encontro guiados pela busca surda de um sentido unívoco.”                                      

                             Martin Heidegger

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A estrutura narrativa imprecisa refúgios de singularidade. Esboço nem sempre pronunciável para conjugar escutas aos desconhecidos endereços existenciais. Admirável poesia na pluralidade significante da loucura. Entremeios de não entendimento, um saber principia aproximação com as exóticas geografias.

Matéria-prima extravagante e destituída de significados mostra-se na expressividade das traduções compartilhadas. Ponto de vista ao visível e invisível tornarem-se uma coisa só. Lógicas da insensatez possuem um saber cigano: indescritível forasteiro a sentir-se em casa no lugar qualquer de todo lugar. Castelos, oceanos, estrelas e seus personagens, surgem de um nada a incluir tudo. O renascimento diário encontra, no entusiasmo delirante, um aliado ao surpreendente mundo novo.

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