Ensaio Sobre o Livre-Arbítrio – Schopenhauer
Filosofia, Livros (Sugestão de Leitura) Deixe um Comentário »ENSAIO SOBRE O LIVRE-ARBÍTRIO,
Über die Freiheit des Willens, 1841.
ARTHUR SCHOPENHAUER, 1788-1860.
Trata-se do primeiro volume de uma coletânea de dois; foi publicado em 1841
com o título: Os dois problemas fundamentais da ética (o segundo era Sobre o
fundamento da moral). O ensaio fora redigido em 1838 para responder a uma
pergunta que fazia parte de um concurso promovido pela Academia Real da
Noruega: "O livre-arbítrio pode ser demonstrado pelo testemunho da
consciência?" Schopenhauer ganhará o prêmio.
A partir de uma série de definições rigorosamente elaboradas (as diferentes
acepções da palavra "liberdade", os diferentes gêneros de necessidade, cap.
1), Schopenhauer responde negativamente à pergunta (cap. 2). Mas não se
limita a isso. Aplicando o princípio de causalidade em suas diversas
formas, Schopenhauer mostra que a vontade do homem é sempre determinada, e que a menor de nossas volições é um efeito necessário. Indo mais longe, inquire sobre as origens de nossa crença no livre-arbítrio, e avança a crítica até elaborar uma teoria do caráter, que ele afirma ser inspirada em
Kant. Na verdade, o kantismo de Schopenhauer é aqui – como alhures – bem
pouco ortodoxo, e sua teoria do inatismo dos vícios e das virtudes é um
decalque psicológico bastante redutor da teoria kantiana do caráter
inteligível (cap. 3).
O capítulo 4 apresenta uma doxografia dos autores que sustentaram a mesma
posição de Schopenhauer sobre a questão do livre-arbítrio (filósofos, mas
também teólogos, escritores, romancistas, poetas). O recurso ao argumento de autoridade não parece atemorizar nosso filósofo.
O quinto e último capítulo trata da questão da responsabilidade, do ponto
de vista da negação do livre-arbítrio. Somos responsáveis, em conformidade
com a teoria do caráter inato, por aquilo que somos; mas não diretamente
pelo que fazemos, pois isso decorre apenas do que somos.
O Ensaio sobre o livre-arbítrio por certo não é o maior livro de
Schopenhauer, nem aquilo que de mais profundo se escreveu sobre a questão,
mas nem por isso esse opúsculo deixa de ter grande valor pedagógico, como
primeira introdução ao problema tão clássico – da liberdade da vontade. O
estilo é límpido, e um iniciante em filosofia poderá apreciar a precisão
das distinções conceituais feitas no início da obra.
Estudo: D. Raymond, Schopenhauer, col. "Écrivains de toujours", Le Seuil, 1979.



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