Como alguns filósofos trataram da questão da linguagem
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A nosso ver, a natureza nada fez em vão; e o homem é o único entre todos os animais a ter o dom da palavra. Ora, enquanto a voz (phoné) só serve para indicar a alegria e o sofrimento e, por esse motivo, também pertence aos outros animais (pois sua natureza chega a experimentar as sensações de prazer e de dor e a exprimi-las uns aos outros), o discurso (lógos) serve para exprimir o útil e o prejudicial e portanto também o justo e o injusto: pois é característica própria do homem em relação aos outros animais ser o único a ter o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e outras noções morais, e é a comunidade desses sentimentos que gera família e cidade.
Estudo: A política (La Politique), trad. fr. J. Tricot, 1, 2, 1253 a.
DESCARTES
Pode-se de fato conceber que uma máquina seja feita de tal forma que profira palavras e até que profira algumas a respeito das ações corporais que provocarão alguma mudança em seus órgãos; de tal forma que, se for tocada em tal lugar, ela pergunte o que querem lhe dizer, se em um outro, ela grite que a estão machucando e coisas semelhantes; mas não conseguirá organizá-las diversamente para corresponder ao sentido de tudo o que for dito em sua presença, como os homens mais embrutecidos podem fazer.
Estudo: Discurso do método (Discours de la méthode), 1637, parte cinco.
Maurice MERLEAU-PONTY
A palavra não é o “signo” do pensamento, se compreendermos por isso um fenômeno que anuncia outro, como a fumaça anuncia o fogo. A palavra e o pensamento só admitiriam essa relação exterior se uma e outro fossem dados tematicamente; na realidade estão envolvidos uma no outro, o sentido está preso na palavra, e a palavra é a existência exterior do sentido.
Estudo: Fenomenologia da percepção (Phénoménologie de la perception), 1945, Gallimard, p. 505.
LUDWIG WITTGENSTEIN
Tudo o que pode ser dito pode ser dito claramente; e aquilo de que não se pode falar, deve ser calado.
(…)
Os limites de minha linguagem significam os limites de meu próprio mundo.
(…)
A linguagem disfarça o pensamento. E principalmente de tal forma que, segundo a forma exterior da vestimenta, não é possível concluir sobre a forma do pensamento disfarçado; porque a forma exterior da vestimenta visa a algo bem diferente do que permitir reconhecer a forma do corpo.
Os arranjos tácitos para a compreensão da linguagem cotidiana são de uma enorme complicação.
Estudo: Tratado lógico-filosófico (Tractatus logico-philosophicus), 1921, trad. fr. P. Klossowski, Gallimard, Idées, Prefácio, p. 39.
Publicado originalmente: 20/09/2009
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