Como Alguns Filósofos Trataram do Problema do Conhecimento
Artigos Diversos, Livros (Sugestão de Leitura) Adicionar comentáriosHENRI BERGSON
Conhecer uma realidade é, no sentido habitual do termo
“conhecer”: tomar conceitos já feitos, dosá-los, combiná-los até obter um equivalente prático do real. Mas não se deve esquecer que o trabalho da inteligência está longe de ser um trabalho desinteressado. Não visamos em geral conhecer por conhecer, mas conhecer para tomar uma decisão, para tirar algum proveito; enfim, para satisfazer algum interesse.
Estudo: O pensamento e o movente (La Pensée et le Mouvant), 1903, VI, Introduction à la métaphysique, Empirisme et rationalisme, P.U.F.
BARUCH DE SPINOZA
O Conhecer é uma pura paixão, ou seja, uma percepção na
alma da essência e da existência das coisas; de modo que não somos nós que afirmamos ou negamos jamais alguma coisa de uma coisa, mas é ela mesma que, em nós, afirma ou nega alguma coisa de si mesma.
Estudo: Curto tratado (Court traité), 1660, segunda parte, cap. XVI(5), trad. Fr. Ch. Appuhn, em Oeuvres, I, Garnier-Frères, p.125.
Percebemos muitas coisas e formamos noções universais:
1º. a partir de coisas singulares que nos são representadas pelos sentidos de maneira mutilada e confusa e sem ordem para o entendimento; e é por essa razão que adquiri o hábito de chamar essas percepções: conhecimento por experiência vaga.
2º. a partir de sinais, por exemplo, ouvindo ou lendo certas palavras, lembramo-nos de algumas coisas e formamos delas idéias semelhantes àquelas pelas quais imaginamos as coisas. Essas duas maneiras de considerar as coisas, chamá-la-ias em seguida: conhecimento do primeiro gênero, opinião ou imaginação.
3º. finalmente, a partir do fato de termos noções comuns e idéias adequadas das propriedades das coisas. E chamaria isso de Razão e conhecimento do segundo gênero.
Além desses dois gêneros de conhecimento, há ainda um terceiro que chamarei: ciência intuitiva. E esse gênero de conhecimento procede da idéia adequada da essência formal de certos atributos de Deus ao conhecimento adequado da essência das coisas.
Estudo: Ética (Éthique), póst. 1677, II, prop. XL, esc. II.
DAVID HUME
Nossa razão deve ser considerada como uma espécie de causa cujo efeito natural é a verdade; mas um efeito tal que pode ser facilmente evitado pela intrusão de outras causas e pela inconstância de nossas faculdades mentais. Dessa maneira, todo conhecimento degenera em probabilidade; essa probabilidade é maior ou menor segundo nossa experiência da veracidade ou da falsidade de nosso entendimento e segundo a simplicidade ou a complexidade da questão.
Estudo: Tratado da natureza humana ( Traité de la nature humaine), livro I, parte quatro, seção I, trad. fr. A. Leroy, Aubier Montaigne, t. I, p. 267.
IMMANUEL KANT
Se todo o nosso conhecimento se inicia com a experiência, isso não prova que ele deriva por inteiro da experiência.
(…)
Intuição e conceitos constituem os elementos de todo o nosso conhecimento; de modo que nem os conceitos, sem uma intuição que lhes corresponda de alguma maneira, nem uma intuição sem conceito, podem resultar em conhecimento.
Estudo: Crítica da razão pura (Critique de la raison pure), Logique transcendantale, 1781, trad. fr. Trémesaygyes e Pacaud, Alcan, Introd., parágrafo I. 2ª. ed.
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