O “Insight” no Estudo e no Ensino da Filosofia Clínica

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Pedro de Freitas Júnior
pedro 

Segundo a Lógica o raciocínio pode ser de três tipos. Dedução, Indução e Abdução. A Dedução prova que algo deve ser, a Indução mostra que algo atualmente é funcional. No sentido lógico o ensino da filosofia clínica trabalha na maior parte das vezes através da Abdução, fazendo a mera sugestão de que algo pode ser.

P1160907-acaficNa historicidade de uma pessoa, muitas vezes, verificamos a utilização de Juízos Perceptivos, onde um juízo ou fato pode ser subseqüente a outro sem a necessidade de inferência de alguma premissa ou causa. Por exemplo, a pessoa está nos relatando um fato que aconteceu em sua vida, a priori, não sabemos se é verdade, e sem que a pessoa nos fale não sabemos qual a origem deste acontecimento. Mas não devemos inferir uma causa para tal ou tal acontecimento, sem que seja colocado pela própria pessoa. Pois tal causa talvez simplesmente não exista sendo apenas um evento (ou fato) subseqüente a outro sem possuir uma causa ou justificação ou premissa conhecida. Daí a afirmação que ao tentarmos encontrar uma justificação, origem ou premissa (no sentido lógico) para um relato ou questão apresentada realizamos muitas vezes um raciocínio abdutivo.

Cuidados na utilização do raciocínio abdutivo: Para Peirce

 “A inspiração abdutiva acontece em nós num lampejo. É um ato de insight, embora extremamente falível. É verdade que os elementos da hipótese estavam antes em nossa mente; mas é a idéia de associar o que nunca antes pensáramos em associar faz lampejar a inspiração abdutiva em nós.” (…) “a inferência abdutiva dissolve-se gradualmente nas sombras do juízo perceptivo, sem uma linha nítida de demarcação entre os dois.” (…) “Assim o juízo perceptivo é o resultado de um processo, não suficientemente consciente para poder ser controlado, ou, antes, não controlável, e, portanto não plenamente consciente. Se tivéssemos que submeter este processo subconsciente à análise lógica, veríamos que ele desemboca numa inferência abdutiva baseada por seu turno em outra inferência abdutiva e assim ad infinitum.PEIRCE – Escritos Coligidos. (Os Pensadores). Nova Cultural. São Paulo. 1989

Podemos concluir disso que ao chegarmos a sugestão do que pode ser, através de um insight, instinto, abdução ou intuição devemos tomar muito cuidado. Pois embora muitas vezes seja a única opção, a possibilidade de erro é enorme, e o que está envolvido não é uma teoria cientifica ou uma simples brincadeira e sim a estruturação de pensamento e a própria vida da pessoa que chega ao Filosofo Clínico. Um pode ser errático pode ao invés de levar a pessoa ao bem estar subjetivo ou a desconstrução de choques na Estrutura de Pensamento, coloca-lá em um estado subjetivo ruim ou de frente com um novo choque na Estrutura de Pensamento. Por isso, é, sempre muito importante seguirmos o método filosófico clínico, escutando a pessoa, ouvindo a sua historicidade de forma ética e carinhosa. Percebendo esta historicidade de forma fenomenológica e sem interferências (agendamento mínimo) deixando, talvez, as abduções para um momento mais avançado (submodos) já com a colheita das categorias bem feitas e a historicidade montada.

Bibliografia:
PEIRCE – Escritos Coligidos. (Os Pensadores). Nova Cultural. São Paulo. 1989.
PACKTER, Lúcio – Cadernos de Filosofia Clinica – Não Editado.

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